ARS PICTORICA revê-se no projecto ARS INTEGRATA e é parte integrante do mesmo. É um espaço de livre-pensamento e de debate de ideias, não possuindo vinculação a correntes estéticas particulares, nem filiação clubística, político-partidária, ou de cariz confessional, pelo que não assume qualquer comprometimento com os textos e opiniões expressas no seu blog e naqueles que divulga. Contamos com a vossa colaboração.
Para mais informação ver abaixo ou escreva para:
arspictorica@gmail.com

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quarta-feira, 6 de julho de 2011

ARS PICTORICA (19): Painture & Fado inspiration : the sign of Portugal

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ECOS DO FADO NA ARTE PORTUGUESA - SÉCS. XIX-XX


Inauguração da exposição: 7 de Julho de 2011, pelas 19horas
Sala do Risco do Pátio da Galé
Terreiro do Paço - Lisboa


A triste sina do Fado Português - o autêntico, "nado e criado em Lisboa", já que do Brasil ao Japão esta "estranha forma de vida" parece estar em toda a parte por onde navegam portugueses contaminando epidemicamente outros povos com a sua melodia gingona e os trinados metálicos da guitarra - assim como percorre os caminhos da poesia, das cantigas de amigo a Fernando Pessoa e mais além, sem deixar de abraçar Camões, tem tocado também diversos pintores, que se aventuram nas ruelas da má-fama ou tão só nas casas de fado "vadio" onde se canta "até que a voz me doa".

A questão que se coloca é a de saber se os elementos pictoricos fadistas contituem um mero adereço pitoresco, seja para consumo interno dos tiffosi ou para "turista ver", ou são inspiradores decisivos para a criação de uma estética "fadista", seja ela seguidista e ornamental ou interaja de forma crítica com o objecto de observação e aponte caminhos de estéticos distintos do vulgar mainstream.

Nada como aceitar o convite e tirar a limpo a nossa interrogação (e o quadro de Amadeo de Sousa Cardozo que foi seleccionado para publicitar o evento, constitui só por si um excelente estímulo para lá irmos). Mas, entre o inevitável "O Fado" de Malhoa, nas suas versões de 1909 e 1910, e a sua reeinterpretação contemporânea pelo saudoso João Vieira, ou o iconoclasta "Anti-fadismo" (meados do séc. XX) do surrealisante Cândido Costa Pinto, para já não falar de recentes obras inéditas, entre as quais recentissimas telas de Júlio Pomar, são muitos outros os motivos para fazer desta exposição um dos grandes acontecimentos artísticos deste Verão (cortes no orçamento para a cultura aparte).

P.S.: Pela nossa parte, aceitámos o honroso convite para a inauguração e aqui fica este vídeo para memória futura, o qual, diga-se em boa verdade, contrariamente ao excelente catálogo não faz plena justiça à importância e qualidades desta exposição a não perder.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

ARS PICTORICA (18): Ana Gonçalves - uma pintora tocada pelo Hatha Yoga


HA, THA E OUTRAS PAISAGENS

OU A PINTURA «HATHA YOGA» DE ANA GONÇALVES


Câmara Municipal de Lagoa (Açores)
Edifício dos Paços do Concelho
De 24 de Junho a 24 de Julho






ANA GONÇALVES expõe nos Açores – onde assentou residência artística – a sua pintura serena (mas nunca inerte) plena de inspiração HATHA YOGA – disciplina da qual é também mestre – e de reflexos das ancestrais paisagens açorianas onde também o mito da Atlântida se casa com o olhar sobre as águas profundas do alto de um Pico que se eleva acima das nuvens, e o voo do Corvo transporta o olhar como num tapete mágico.



O título da exposição radica, aliás, na simbólica do Hatha Yoga, que corresponde à união do Sol (HA) e da Lua (THA), gerada pelos sopros prana e apana na busca do equilíbrio entre as forças solar e lunar, do masculino e do feminino, união conducente à fecundidade, e consequentemente à criatividade em toda a sua plenitude material e imaterial.



É, pois uma pintura que visa tanto o despertar dos sentidos como a elevação espiritual, revelando no plano estético a transcendência da matéria, e em que o objecto pictural se transforma num agente do despertar para novas formas de consciência, em que o ego cede lugar à dimensão criativa e universal do infinito.



Mas, por agora, só está acessível aos privilegiados que vivem ou podem deslocar-se aos Açores!...


Fake selfportrait / by unknown, made of Anna's artistic material




«HA, THA E OUTRAS PAISAGENS»
por Ana Gonçalves


Circularidades
Se, das impressões que guardo da ilha de São Miguel, tivesse que seleccionar a que maior impacto provocou em mim, escolheria a passagem do tempo, vivida através da observação diária dos ciclos da Natureza.

As árvores, nuas ou vestidas, a migração das aves e o eterno retorno das flores e dos animais, aparecendo e desaparecendo nos pastos, os seus percursos, e os dos homens, desenhados no chão de erva fresca, o vai-e-vem das ondas do mar, o céu movendo-se por cima de nós, azul, verde, cinza, rosa… tudo isso numa só imagem, a do círculo, lançou o mote a esta exposição.

De acordo com o Dictionnaire des Symboles de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant
[1], o círculo representa «o mundo distinto do seu princípio». Se considerarmos o ponto como origem simbólica primordial, o círculo representará (enquanto extensão daquele), não a sua «perfeição escondida» (pois o ponto é «perfeito, homogéneo e indivisível»), mas antes o «efeito criado» ou, dito de outro modo, a criação. (1982:191)

Ha, Tha e Outras Paisagens
O título desta exposição poderia bem ter sido «O Sol, a Lua e Outras Paisagens». No entanto, não era o Sol, estrela à volta da qual nove (ou mais) planetas circulam, ou a Lua, satélite que continuamente gira em volta da Terra, que desejava evocar. Era e é, tão só, a associação destes astros – que, desde sempre, fascinaram o ser humano – a uma ideia, mais interna e, porventura, subconsciente, de polaridade.

Segundo os autores supracitados, o sol é princípio activo, na medida em que irradia luz, e a lua princípio passivo, pois apenas reflecte a luz do sol. E assim, a partir daqui se podem multiplicar as aplicações simbólicas:

(…) Na medida em que a luz representa o conhecimento, o sol está para o conhecimento intuitivo, imediato; a lua, para o conhecimento reflexivo, racional, especulativo. Consequentemente, o sol e a lua correspondem respectivamente ao espírito e à alma (spiritus et anima), e aos seus lugares: o coração e o cérebro. Estes são a essência e a substância, a forma e a matéria (…). (1982:892)

Mais:

(…) Os olhos dos «heróis primordiais» [em cultos indianos e chineses] são sol e lua (olho direito = sol; olho esquerdo = lua) e, embora as correspondências se invertam no caso de algumas etnias, esta ligação aos olhos remete para uma outra: o olho esquerdo corresponde ao futuro, o olho direito ao passado; assim o sol ao intelecto, a lua à memória. (1982:893)


Finalmente:

(…) Estes olhos solar e lunar correspondem aos dois nadi [canais de circulação energética] laterais do Yoga: ida lunar e pingala solar. (…) O Yoga é a união do sol e da lua (ha e tha, de onde Hatha Yoga), representados pelos sopros prana e apana, ou ainda pelo sopro e pelo sémen, que são o fogo e a água. (…) (idem)

Era, portanto, uma dinâmica de fértil oposição e complementaridade, entre estes princípios fundamentais, que interessava contemplar. Pelo caminho, porém, novos dados se juntaram ao jogo de hesitação e escolha, de exaltação e silêncio, que todo o fazer implica. Notas de cor translúcidas e fragmentos de um arquivo pessoal de imagens se foram insinuando e assim surgindo, durante o processo, como «outras paisagens», para além dos ciclos do sol e da lua.

E é essa série de trabalhos – momento extraído de um movimento contínuo e, portanto, também ele, circular – que esta exposição aqui reúne e apresenta.

Ana Gonçalves
Junho de 2011



[1] CHEVALIER, Jean e GHEERBRANT, Alain (1982), Dictionnaire des Symboles. Paris: Robert Lafont / Jupiter. Tradução livre e adaptada de Ana Gonçalves.-

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

ARS PICTORICA (15): The Divine Graça Morais at the CAMB, Animae Metamorphicae


La Divine Grace (2010) / (re)designed by David Zink



GRAÇA MORAIS ANIMAE METAMORPHICAE



No próximo dia 18 de Setembro de 2010, sábado, pelas 15h, Ars Pictorica promove uma "visita-tertúlia" à Exposição da obra da artista plástica Graça Morais (1948-), que se encontra patente no CAMB - Centro de Arte Manuel de Brito (sediado no Palácio Anjos, em Algés, muito próximo da estação de comboios, frente ao jardim).

Trata-se de uma exposição a não perder, daquela que é sem dúvida uma das melhores pintoras portuguesas de sempre, e de quem ainda esperamos nos continue a dar por longos anos o prazer de conhecer novas emoções. A visita será "pivoteada" pela Mestre em Teorias da Arte, Elisa Soares, e pelo historiador da arte, David Zink, e à semelhança das propostas anteriores outros contributos multidisciplinares são esperados, desafio extensivo a todos quantos desejem nela participar.

Pode pre-inscrever-se desde já (como participante activo ou passivo, sendo que em qualquer dos casos apenas terá que pagar o bilhete especial de grupo que será de 0,50 € por pessoa, o que lhe permite poupar 1.50 € relativamente ao preço do bilhete individual). E, para aqueles que o desejarem, a visita prolongar-se-à por um jantar tertúlia num restaurante da zona. Basta enviar um e-mail para arspictorica@gmail.com

Links:

http://camb.cm-oeiras.pt/homepage.aspx

http://pt.wikipedia.org/wiki/Gra%C3%A7a_Morais



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domingo, 21 de fevereiro de 2010

ARS PICTORICA (14): Bartolomeu Cid dos Santos & Going South at the CAMB


In-printed visions of Bartolomeu (2010) / Bart. (re)designed by David Zink


BARTOLOMEU REVISITADO NO CAMB


No próximo dia 18 de Abril de 2010, pelas 15h, Ars Pictorica promove uma "visita-tertúlia" à Exposição da obra de Bartolomeu Cid dos Santos (1931-2008), que se encontra patente no CAMB - Centro de Arte Manuel de Brito (sediado no Palácio Anjos, em Algés, muito próximo da estação de comboios, frente ao jardim).

Esta iniciativa, que tinha sido prevista para o dia 21 de Março, foi adiada por nesta data se celebrar o Dia Mundial da Poesia, ficando assim por justa causa marcada para meados do mês de Abril, no Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, aprovado pela UNESCO.

Trata-se de uma exposição a não perder, daquele que é talvez um dos melhores gravadores que o século XX viu surgir e, sem dúvida um dos mais significativos artistas portugueses de renome mundial.

A visita será "pivoteada" pela Mestre em Teorias da Arte, Elisa Soares, mas à semelhança das propostas anteriores outros contributos multidisciplinares são esperados e, sobretudo, conta-se que a expressão de pontos de vista diferentes seja estimulada.


Pode inscrever-se desde já (como participante activo ou passivo, sendo que em qualquer dos casos as inscrições são gratuitas). E, para aqueles que o desejarem, a visita prolongar-se-à por um jantar tertúlia num restaurante da zona. Basta enviar um e-mail para arspictorica@gmail.com

Links:




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domingo, 24 de janeiro de 2010

ARS PICTORICA (13): Visita à Casa das Histórias de Paula Rego

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Paula Rego's Story House (2010) / (re)designed by David Zink


No próximo sábado, dia 30 de Janeiro, pelas 14h30, terá lugar uma visita-tertúlia à CASA DAS HISTÓRIAS de PAULA REGO (em Cascais), conduzida pelas Mestres em Teorias da Arte, Elisa Soares (autora de obras de referência sobre os pintores Cruz Filipe e Ricardo Bensaúde) e Teresa d'Orey Capucho (autora da tese: Paula Rego - o desenho como ponto de referência, o desenho como factor de mudança).

Ars Pictorica
convida-vos a participar nesta visita, seja como mero observador ou participante activo na mesma, contribuindo para um diálogo multidisciplinar que se deseja mutuamente enriquecedor.

Entrada livre.

endereço:
Av.ª da República, n.º 300 - 2750-475 Cascais (em frente ao antigo Pavilhão do Dramático, perto do Centro Cultural de Cascais e da Cidadela)

«
Para a pintora o desenho é o ponto de partida, a génese de toda a sua obra plástica. O desenho estrutura a narrativa pictórica, servindo uma larga gama de funções que irão definir as diferentes formas com que se apresenta, para finalmente se separar sob a forma de desenhos preparatórios.

Veremos nesta exposição os vários tipos de desenho que Paula Rego utilizou para as suas narrativas: o desenho informal "dubuffetiano", onde os títulos adquirem um carácter irónico em relação á sociedade. A colagem da época "Pop" onde o desenho torna-se material para as obras, onde é reciclado, mutilando-os e ordenando-os sobre a tela. O desenho a pincel directamente sobre a tela: na série "Operas" onde o pincel actua sobre o suporte papel, paleta reduzida e figuras resolvidas em ideogramas ordenadas de cima para baixo e da esquerda para a direita por vezes da direita para a esquerda reforçando o sentido de escrita. A partir dos anos oitenta encontramos nova viragem, marcando o início da utilização do desenho como método de trabalho, nos desenhos preparatórios. Este método clássico reclama a definição do plano horizontal, a entrada das sombras, e a perspectiva.

Veremos a escolha final pelo médio pastel sobre papel, onde o gesto de desenhar e o gesto de colorir são simultâneos. Estes trabalhos, pela sua escala, riqueza e modelação cromática, são desenhos que se podem confundir com a pintura.

O caminho percorrido desde o minimalismo dos primeiros desenhos até ao barroquismo dos trabalhos a pastel, demonstram como Paula Rego sendo uma pintora, é de facto pelo desenho que se afirma definindo o seu carácter.»

Teresa D'Orey Capucho





links:
biografia, in:
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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

ARS PICTORICA (11): Salvador Dali, an artistic saviour in a surrealistic country

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Dali´s flying papers (2009) / David Zink


Nesta rentrée, merece destaque a recente reabertura do Palácio do Egipto, em Oeiras (no perímetro histórico da vila, junto à igreja matriz), inteiramente renovado e requalificado como Centro Cultural do Concelho de Oeiras.
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Para assinalar o acontecimento, está patente até ao próximo dia 15 de Setembro, uma exposição de obras de um dos mais significativos artistas do século XX - Salvador Dali (1904-1989), o mais famoso artista “surrealista” e auto-proclamado inventor do método paranóico-crítico, inspirado na Teoria psicanalítica da interpretação dos sonhos de Freud e na Teoria da Relatividade de Einstein.
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Esta, é composta por um conjunto de desenhos, pinturas e esculturas que reflectem as relações existentes entre literatura e arte na sua obra, assentes em temas como «Alice no País das Maravilhas», «A demanda do Graal», «Gargântua e Pantagruel», «As Idades do Homem», «Pater Noster» ou o «Tricórnio».
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ARS INTEGRATA, promove no próximo domingo, dia 6 de Setembro, pelas 14h30, uma visita colectiva à referida exposição inaugural, tendo para o efeito convidado dois historiadores de arte que aceitaram o desafio de serem os pivots do que se propõe seja, mais do que uma visita guiada, uma discussão aberta a quantos nela queiram participar.

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ARS PICTORICA associa-se com entusiasmo a esta iniciativa.

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A não perder!!!

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Apareçam!

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No final, os presentes serão convidados a participar num mergulho surrealistana praia de Carcavelos, para cuja concretização recomenda-se levar alguns adereços de cena (como sejam: fato de banho e toalha).

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Watch me well! (2009) / David Zink

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Dalí himself in a live show (youtube courtesy)

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domingo, 19 de agosto de 2007

ARS PICTORICA (3): Um pintor carregado de futuro!


JOAQUIM MARQUES EM VFX


A Galeria de Exposições da Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira inaugura no próximo dia 30 de Agosto, uma exposição de pintura do jovem artista plástico Joaquim Marques, de seu portuguesissimo nome, ainda que alemão de nascimento, mas transnacional como criador (sim, como Leonardo da Vinci demonstrou no seu Tratado da pintura, todo o artista que não se limite a ser um mero imitador - um artesão - é um demiurgo, com direito a ser venerado por cidadãos conscientes, não de fanáticos).


Joaquim Marques é ainda um pintor no segredo dos deuses e de alguns galeristas e coleccionadores. Cabe agora ao público ignaro (entre o qual nos incluímos, como Sócrates, o grego, pois só os néscios julgam tudo saber) a mais recente oportunidade de o descobrir. Estamos certos que quem se deslocar a Vila Franca de Xira não dará o seu tempo por perdido.
Deixamos desde já algumas pistas: Trata-se de pintura figurativa de irrepreensível técnica que não oblitera o imaginário poético simultaneamente inferido do real e combinado com a tradição onírico-icónica do conto infantil (trilhando caminhos próximos do ilustrador, mas reformulados em escala ampliada), que revelando-se erudita não escamoteia o estabelecimento de uma relação com a pintura de Rousseau (coleccionada por Picasso!).


Até 29 de Setembro do corrente ano de 2007. A não perder!


Post Scriptum: Ars Pictorica tem presente que no mercado da arte importa não descurar os aspectos relacionados com a divulgação, incluindo o marketing, pelo que sugere ao jovem artista que passe a assinar "apenas" como JOAQUIM (ou Joachim, em europeizada grafia), facilitindo a legibilidade e a dizibilidade do seu nome (julgamos que "Marques" poderá dificultar a sua internacionalização e o próprio arquivamento na nossa memória), bem como o grafismo da assinatura... e, por não suscitar confusão com outro artista, julgamos que combinaria melhor com a singularidade luminosa da sua pintura...

quinta-feira, 28 de junho de 2007

ARS PICTORICA (2) : duas exposições em foco


1. A mais falada: Colecção Berardo no CCB


O polémico (a polémica tornou-se um quase indispensável instrumento de marketing, e só por si contribui decisivamente para publicitar gratuitamente o produto) Museu /Colecção Berardo abre hoje, 2.ª feira, 25 de Junho de 2007, as suas portas ao público.


É arte meus senhores, é entrar é entrar senhorias
a arte nobilita
a arte faz curvar ministros (curvatura do círculo?)
a arte lava mais branco
(se não acreditam, leiam a "lei do combate ao branqueamento de capitais", e consultem as sentenças dos tribunais ; não consta que alguém tenha sido condenado por tráfico de obras de arte)

com ou sem o beneplácito dos poderes públicos, a colecção Champalimaud pode ser livremente leiloada pela Christie's em Londres... mas quem berardear piamente terá direito a 3 meses de indulgências

atenção "colunáveis" podeis ser ignorantes mas "não podeis ignorar" (Padre Fanhais dixit), ninguém que se preze poderá deixar de ir lá

será arte será gente? "Gente não é certamente" (Augusto Gil dixit)...

A feira das vaidades será o preço a pagar... mas os verdadeiros amantes de arte também irão inevitavelmente chocar com as intermináveis filas (os mais avisados poderão sempre optar por ir apreciar a arte noutras paragens menos concorridas).

Estar in ou estar out eis a questão (Shakespeare teria pensado neste dilema dos nossos dias?).


Hoje à noite haverá fogo de artifício (será que alguém se lembrou da música para os Royal Fireworks de Händel, ou até da mais modesta composição - republicanos Fireworks apenas, sem o Royal - de Igor Stravinsky, mas em qualquer dos casos celebrativa da suprema arte do fogo/luz que no século das luzes - ou, melhor, o das luminárias - chegou a estar vedada aos simples mortais, que não ao absoluto soberano).


Dando voz à "concorrência" institucional:

«Pedro Lapa, director do Museu Nacional de Arte Contemporânea, considera que em Portugal não há nenhuma colecção como a do comendador madeirense no que toca ao período entre 1920 e 1970. No entanto, a colecção, que ocupará o antigo centro de exposições do Centro Cultural de Belém (CCB), "não tem - assinalou - núcleos aprofundadados". "Tem uma boa obra de cada artista, mas não chega a ter uma identidade própria continuada", referiu Pedro Lapa (...) manifestou-se ainda "apreensivo" pelo facto de o Estado destinar por ano meio milhão de euros para a compra de obras de arte para uma colecção privada, numa altura em que o Museu do Chiado, que integra o Instituto de Museus e Conservação, não tem verbas para a aquisição de arte. Quanto à escolha do CCB, o responsável opinou que "a opção assumida não é a mais adequada", já que devia "construir um museu internacional de arte contemporânea, com um programa coerente e bem estruturado". "Para serem de referência internacional, deviam fazer-se colecções contemporâneas para o futuro, senão serão sempre de segundo plano", vaticinou.» (in http://www.rtp.pt/index.php?article=287721&visual=16 )


Dizer que para esta exposição se esperam mais de 400 mil visitantes/ano (compreendendo turistas e aqueles que não deixarão de lá ir mais do que uma vez), pode parecer muito mas significa que esta vai passar ao lado da maioria dos portugueses (estimados em cerca de 12 milhões de residentes em Portugal), resta saber se terá ou não impacto significativo no turismo e na promoção internacional do país.


Relativamente ao seu conteúdo contamos podermos pronunciar-nos (nós e/ou outros amigos que o queiram fazer) logo que possível (temos horror a filas intermináveis, por isso não é certo que seja para breve, mas...)


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A mais urgente: ALTERNATIVA ZERO na Fundação Arpad-Szenes/Vieira da Silva


A Alternativa foi uma bem sucedida forma promocional que se pretendeu "provocatória" de afirmação pública de um conjunto de artistas novos e outros menos novos (sob a batuta do "maestro" Ernesto de Sousa, v. http://pt.wikipedia.org/wiki/Ernesto_de_Sousa) que nos idos anos 70 do século passado, mais concretamente no épico período revolucionário pós-25 de Abril se juntaram em jeito de manifesto para alcançar a notoriedade e, por arrastamento, a imortalidade.

O Zero é o Nada que é Tudo, e por isso as tendências foram as mais variadas e porventura até contraditórias (figurativo versus abstracto, profusionismo versus minimalismo, mas todos em clara afirmação de ruptura com a arte oficial da recém-derrubada ditadura, incluindo os decanos contemporâneos dessa construção híbrida (por vezes labiríntica) que junta, como sucedera já no período barroco, forma plástica e arte poética de vanguarda, dita poesia visual experimental, como Ana Hatherly e Melo e Castro). Estes e outros irão lá estar, e também o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa (cujo fundador Jorge Peixinho, também ele presente na Alternativa Zero, já habita o panteão dos deuses). Apressem-se, pois, aqueles que quiserem ver alguns dos hercúleos semideuses que ainda permanecem entre nós e estão, ainda, dispostos a aturarem-nos.

Os iconoclastas de então (est)(s)ão hoje artistas quase todos institucion(ais)(lizados), mas não deixa de ser curioso que o comissário da presente evocação seja um professor da... Universidade Católica!!! Parabéns, então, a Paulo do Vale e à Universidade Católica! Assim como a Isabel Alves, viúva de José Ernesto de Sousa (1921-1988), arquitrave-mestra de inúmeras inicativas e incansável defensora do património artístico contemporâneo (onde tantos com maiores obrigações falham), que preservou e disponibilizou "a sua memória, fotografias e filmes inéditos sobre a própria exposição e o seu organizador".

Fundação Árpád Szenes/Vieira da Silva
(v . http://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_Arpad_Szenes_-_Vieira_da_Silva)
Praça das Amoreiras, 56/58 - 1250-020 Lisboa
tel: 21 388 00 44 /53
e-mail: fasvs@fasvs.pt
website: http://www.fasvs.pt/
Horário (geral): seg-sáb: 11h00-19h00 ; dom: 10h00-18h00


Haverá alternativa para a ZERO?

Programa:

5.ª feira, 28 Junho – A ARTE EM FESTA
18h – Inauguração
19h – Que alternativa? a importância da AZ / Delfim Sardo e artistas que participaram na Alternativa Zero

6.ª feira, 29 Junho – A PRÓ-VOCAÇÃO DO ZERO
18h – Panorama 77 / Emília Tavares
Alternativa Zero – Que zero? / Ernesto Melo e Castro
Dos anos 70 aos 80: continuidades e rupturas / Luís Serpa

Sábado, 30 de Junho – ERNESTO DE SOUSA: O DETONADOR
16h30m – O Operador Estético / Margarida Medeiros (artista), Ricardo Nicolau (crítico), Nuno Faria (curador)
Intervalo
18h30m – Ernesto, o ornintorrinco honesto.
Mantras e polípticos - uma pedagogia? / Pedro Proença
Bolsa Ernesto de Sousa: 15 anos / Luís Silva e Emanuel Dimas Pimenta
Intervalo
20h30 – Performance Jardim das Amoreiras / Adriana Sá e André Gonçalves (ex-bolseiros Bolsa ES)

Alternativa - 0
Haverá - 1

Qual?

Abaixo à fome cultural, venha a fartura!!!

quarta-feira, 27 de junho de 2007

ARS PICTORICA (1) : Retrospectiva Gulbenkian



BandPor (2001) / Pedro Zink


50 ANOS DE ARTE PORTUGUESA na F.C.G.


No âmbito das comemorações do seu 50.º aniversário, a Fundação Calouste Gulbenkian achou e bem (aplausos!) realizar uma exposição retrospectiva da arte portuguesa que tem vindo a beneficiar do seu apoio, o que, obviamente, não é o mesmo que falar de "50 anos de arte portuguesa" título-chavão mas que não é certamente chave da arte portuguesa das 5 últimas décadas, a não ser de uma porta mais pequena daquela que pretende anunciar, já que apenas se trata efectivamente de uma "selecção de centena e meia de obras da colecção do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão escolhidas em articulação com a documentação existente sobre os artistas apoiados, em subsídios e bolsas, pela Fundação desde 1957 até à actualidade" (cf. http://www.gulbenkian.org/exposicoes.asp ).

Com efeito, faltam alguns nomes essenciais (conhecidos do grande público ou não), porquanto o(a)s "olheiros" (expressão que pedimos emprestada à gíria futebolista) da Fundação Gulbenkian, por vezes, anda(ra)m distraído(a)s, mas mesmo assim vale a pena dar lá uma saltada para revisitar os consagrados e espreitar outros que não tanto (o que não se traduz em juízo de valor) .

Transcrevendo:

«"50 ANOS DE ARTE PORTUGUESA. Exposições. De 06/06/2007 a 09/09/2007 . Terça, quarta e domingo: 10h00 - 18h00 quinta, sexta e sábado: 10h00 às 22h00. Salas de exposições temporárias no piso 0 e 01 da Sede.

Esta exposição de arte portuguesa, que integra o programa das Comemorações do Cinquentenário da Fundação Calouste Gulbenkian, é uma iniciativa conjunta do Serviço de Belas-Artes e do Centro de Arte Moderna, com curadoria de Raquel Henriques da Silva, em colaboração com as curadoras-adjuntas Ana Filipa Candeias e Ana Ruivo.

A exposição apresenta uma selecção de centena e meia de obras da colecção do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão escolhidas em articulação com a documentação existente sobre os artistas apoiados, em subsídios e bolsas, pela Fundação desde 1957 até à actualidade. Este cruzamento, colecção e arquivo, permite que as obras de arte possuam um lastro significante, vindo da voz dos seus próprios criadores, através dos seus relatórios de trabalho.

Deste modo, 50 anos de arte portuguesa pretende ser uma peculiar celebração: a de um intenso convívio entre uma instituição e largas dezenas de artistas – conjunto vasto de autores com elevado reconhecimento na História de Arte Portuguesa – que envolve apreço, mútua dádiva, estabelecimento de novas prioridades e algumas provocações.

Visitas para grupos organizados mediante marcação prévia – tel. 217823620 (marcações 2ª a 6ª das 15:00 às 17:00) Idiomas: português, inglês, francês e alemão»



Ars Integrata esteve lá no passado domingo, dia 17, para assistir à visita guiada por Ana Gonçalves, que apenas conhecíamos como jovem pintora muito promissora, mas que também se revelou uma excelente guia para esta exposição, bem documentada, muito assertiva e com excelente colocação de voz. No final seguimos para um restaurante das proximidades (no topo do Parque Eduardo VII, vista para o lago), com Ana Gonçalves que muito amavelmente acedeu ao nosso convite para um saudável convívio entre amigos do Ars Integrata e para um balanço do que "vimos, ouvimos e lemos / não podemos ignorar..." (Padre Francisco Fanhais dixit)


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n.b.: qualquer semelhança entre a obra de Pedro Zink, então com 8 anos, acima reproduzida (print. 2001) e o cartaz da F.C.G. para assinalar a exposição será pura coincidência, mas gostaríamos de saber... qual preferem?


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p.s.: pouco antes do 25 de Abril de 1974, João Zink (o "Jimi", lembram-se?) teve a polícia no seu encalço (valeu-lhe na ocasião o amigo/líder da claque de apoio, "TóPê" e o seu grupo de motards, o que não impediria a sua posterior prisão pela PIDE), por se ter permitido tocar em concerto público uma variação do hino nacional com pedal de wah-wah (alla Hendrix), hoje é uma poderosa instituição que promove uma variação em torno desse outro símbolo nacional: a bandeira. Será esta a prova definitiva de que vivemos em democracia?

From Science & Art / Jorge Castro (poem) & David Zink (music)

Rei / Jorge Gonçalves (design) & Rui Zink (script)